Terapia Regressiva

A terapia regressiva, ou simplesmente regressão, é um conjunto de técnicas terapêuticas que tem por objetivo fazer com que o paciente acesse o subconsciente, a fim de buscar as primeiras manifestações de que deram origem a traumas, fobias e instabilidades emocionais, na intenção de saná-las, alcançando um maior equilíbrio tanto dentro de si como em seus relacionamentos[1].

É de notar-se, portanto, que o objetivo principal da regressão é de ordem terapêutica, na busca de uma melhor qualidade de vida para o paciente que a busca, promovendo um autoconhecimento que busca identificar as raízes psicológicas para aquilo que lhe faz sofrer.

A regressão não tem o condão de substituir qualquer outra terapia ou medicamento, atuando como uma terapia complementar, que atua com base em orientações diversas, como, por exemplo, a que busca entrar em contato com o subconsciente para localizar a origem precisa e psicológica de traumas e fobias. Igualmente, ela deve ser ministrada por terapeutas que tenham habilitação suficiente e um currículo profissional que a comprove, não devendo o interessado acreditar em qualquer tipo de promessa que envolva a regressão, pois se trata de um fenômeno um tanto quanto raro e nem sempre ao alcance de todas as pessoas que se interessam por ele[2].

Réverie é uma expressão de origem francesa cujo significado engloba todo tipo de revivescência de experiências vividas no passado. Diferente de recordar, réverieé viver novamente o episódio, como se estivesse lá no momento em que ocorreu, com toda a intensidade perceptual e espiritual. É a quintessência da regressão[3].Sob regressão, a pessoa adquire a capacidade de vivenciar experiências passadas com a mesma intensidade emocional e perceptiva que teve na ocasião em que os fatos ocorreram[4].

As terapias regressivas são subdivididas em três segmentos, a saber: Regressões Etárias, Regressões a Vidas Passadas e Terapias de Vidas Passadas – TVP.

REGRESSÕES ETÁRIAS. Têm por objetivo conduzir o paciente a reviver experiências que tenha vivido nesta própria vida, em épocas anteriores, que podem incluir a infância e a vida intrauterina[5]. O paciente entra em contato com seu subconsciente a fim de desvendar a origem de traumas e fobias que tenham tido causa nesta vida.

REGRESSÕES A VIDAS PASSADAS. Têm a finalidade de levar o paciente a reviver experiências que tenha experimentado em vidas anteriores a esta[6].

TERAPIAS DE VIDAS PASSADAS – TVP. Podendo ser considerada com um complemento da Regressão a vidas passadas, a TVP visa encontrar em vidas passadas experiências traumáticas que tenham dado origem a desvios de comportamento, dores persistentes que resistam a tratamentos médicos tradicionais, fobias inexplicáveis etc. O que diferencia a TVP da regressão etária é justamente a sua abrangência, eis que a regressão etária se fixa na vida presente, enquanto a TVP vai a períodos anteriores ao nascimento.

Segundo o Dr. Brian Weiss, importante terapeuta de TVP a nível mundial, “a terapia de regressão não se limita a buscar lembranças de vidas passadas. Ao entrar em profundo estado hipnótico e de relaxamento, muitas pessoas descrevem experiências místicas e espirituais. Essas vivências têm muito poder e chegam a transformar suas vidas. A visão do paciente sobre a vida e a morte muda essencialmente. Os valores se convertem”[7]. Frisa-se, portanto, o grande poder de transformação pessoal que pode chegar uma TVP bem-sucedida, visando a uma melhor qualidade de vida e ao autoconhecimento.

Ainda, Livio Tulio Pincherle afirma que “a Terapia de Vida Passada, criada por Morris Netherton com o nome em inglês de pastlifetherapy, deve ser considerada uma forma de terapia transpessoal tecnicamente orientada para a cura de inúmeros problemas psíquicos e psicossomáticos”[8].Os terapeutas Morris Netherton e Edith Fiore, na mesma época, mas independentemente um do outro, foram os responsáveis por sistematizar a TVP moderna, no ano de 1967. Contudo, é de destacar-se que a TVP é uma técnica muito antiga, referendada por vários povos ao longo da história.

PARADIGMA SOBRE O QUAL SE FUNDA A REGRESSÃO

A regressão, em especial a terapia de vida passada, é ainda muito criticada nos meios científicos tradicionais, que se encontram apegados ao paradigma Newtoniano-Cartesiano, baseados nos ensinamentos de Isaac Newton e René Descartes. Segundo esse modelo, tudo na natureza poderia ser explicado como se a matéria fosse composta de partículas que obedeciam às leis da chamada mecânica newtoniana, não havendo lugar para outras dimensões físicas e espirituais. Para essa concepção que já tem três séculos, tudo que não for passível de verificação com o uso de nossos sentidos ou aparelhos, não é “científico”. Hoje, o modelo de Newton-Descartes é útil para explicar os macrofenômenos, mas desconhece o que se passa no interior dos átomos com suas micropartículas[9].

Graças às descobertas propulsionadas pela Física Moderna, na figura de cientistas como Einstein, Niels Bohr, Max Planck e outros, é cada vez mais possível validar as conclusões chegadas pelos místicos de há muito tempo, a de que todos os fenômenos são ligados, em que não existe separação entre o observador e o fato observado. Como premissas do paradigma da Terapia Regressiva, elencam-se os seguintes: o Homem faz parte de um universo em constante mutação; o Homem é ao mesmo tempo causa e efeito dentro deste universo em constante mutação; o Homem pode existir em várias dimensões de tempo e espaço, concomitantemente[10].

A TVP pode ser encarada como uma abordagem transpessoal porque acaba levando o cliente a tomar contato com todas as dimensões da realidade, ajudando-o a transcender a dualidade e atingir a unidade do todo[11].

TÉCNICAS USADAS NA TERAPIA REGRESSIVA

A terapia regressiva possui um conjunto variado de técnicas que possuem o objetivo de levar o paciente ao estado mental propicio à prática terapêutica, sendo que cada terapeuta costuma a incorporar as suas próprias preferências junto às práticas tradicionais, o que abre um leque de experiências riquíssimo ao processo. Neste ponto, cumpre mencionar as técnicas mais consagradas e amplamente difundidas da regressão.

HIPNOSE. Hipnose é um método capaz de direcionar a atenção e a vontade de um indivíduo em busca de um determinado objetivo. É também um estado de sugestionabilidade altamente eficaz, capaz de produzir alterações nas sensações, nos níveis de percepção e no comportamento. Toda hipnose é, acima de tudo, auto-hipnose, o que significa que todo o processo acontece internamente e por vontade exclusiva do paciente, tendo o terapeuta apenas o papel de condutor[12]. Não há necessidade de indução a estados profundos de transe para a maior parte dos objetivos atingíveis através da hipnose. A hipnose é um momento em que a memória (não só a capacidade de lembrar, como a de vivenciar outras vezes experiências do passado), a imaginação, a predisposição de comportamentos e tarefas e o incremento da capacidade criativa fazem-se mais presentes[13].

A hipnose, por si só, não produz nenhum tipo de cura, sendo o seu emprego para fins terapêuticos uma aplicação especializada conduzida normalmente por terapeutas chamada de hipnoterapia.

HIPNOSE ERICKSONIANA. Milton Erickson foi um dos maiores hipnotizadores de todos os tempos, tendo a fama de conseguir hipnotizar qualquer pessoa. Na abordagem hipnótica de Erickson, procura-se não introduzir qualquer conteúdo na indução, de modo que o próprio sujeito tenha a liberdade de escolher o tipo de experiência que quer ter. O hipnólogo não introduz sugestões que possam atrapalhar o aprofundamento do transe; assim agindo, elimina qualquer possibilidade de resistência, já que o cliente não se obriga a aceitar as sugestões. Assume-se que os pacientes já têm em seu inconsciente todos os recursos necessários para resolver os seus problemas e o terapeuta tem apenas que fazer com que eles entrem em contato com esses recursos[14].

O modelo de hipnose de Milton Erickson contrasta fortemente com o modelo de hipnose tradicional, estas mais autoritárias, exigindo do cliente uma atitude passiva em que o hipnotizador sugere de maneira impositiva os diversos passos da hipnose, o que não se revela muito eficaz aos propósitos da hipnose regressiva[15].

Para executar esta técnica hipnótica, o hipnólogo deverá ter muita prática na observação das chamadas “Pistas não verbais”, como pequeno movimento dos olhos, posturas corporais, expressões faciais etc, adaptando sua linguagem, gestos e expressões ao modo particular do cliente, preferindo usar sempre palavras do canal sensorial preferencial dele (visual, auditivo ou somático) e até imitar seus gestos e posturas de modo sutil, processo este chamado de Acompanhamento e Espelhamento[16].

HIPNOSE DIRETA “INSIGHT”. Concebida pela Psicóloga Edith Fiore, é considerada a técnica básica da Terapia Regressiva e é a mais conhecida e usada pelos terapeutas. Sempre é necessária quando um cliente tem muita resistência em abrir mão do seu processo mental discursivo ou que tem dificuldade de relaxar. A técnica inicia-se com um relaxamento profundo, dando sugestões de expansão do corpo e o cliente vai percebendo que perde a sensibilidade do seu corpo, como se estivesse anestesiado. Com o estabelecimento de contato com a vida passada, procura-se conduzi-lo para que descubra todos os detalhes que têm relevância com a sua queixa. Depois é sugerido ao cliente voltar da máquina do tempo, mas permanecendo com os olhos fechados. Pede-se ao cliente fazer as correlações entre o que descobriu da vida passada e sua vida atual, procurando o “Insight” e buscando reafirmar as suas redecisões[17].

TÉCNICA DE MORRIS NETHERTON. Morris Netherton foi o primeiro terapeuta a desenvolver uma técnica de regressão. Para ele, a parte principal da terapia está centrada em três fases especiais do ciclo da vida: o período pré-natal, o natal e a morte. A maioria dos incidentes traumáticos da Terapia Regressiva desenrolam-se em uma destas três fases. As experiências das pessoas são abordadas em quatro níveis: Corpo Físico, Mental, Emocional e Espiritual. Ainda segundo Netherton, as pessoas costumam representar um dos seguintes papeis em suas vidas: a vítima, o algoz e o observador[18].

Neste método, o cliente acessa o inconsciente sem afastar o consciente. Não usa hipnose ou relaxamento para conseguir a recordação e a revivência da vida passada. Importa o estudo de todos os detalhes que acontecem no intervalo entre a previsão e a constatação do momento traumático, onde são impressas no inconsciente todas as decisões que irão influenciar o comportamento da pessoa por muitas vidas, até que ela possa elaborar uma redecisão[19].

HIPNOSE DIRETA E INDIRETA. Formulada por Lívio Pincherle, um médico psiquiatra radicalizado brasileiro, resulta da combinação da técnica de Fiore com a de Netherton e considera que, para haver a cura, é necessária a Catarse. Essa Catarse significa que o cliente necessita não apenas recordar o fato da origem da sua queixa, mas também vivenciá-lo completamente, sentindo novamente as dores, emoções e sentimentos, até esgotar completamente aquelas energias[20].

CONCLUSÃO

Um caminho longo já foi percorrido pelas Terapias Regressivas desde o seu início, mas com certeza muito deverá ainda deverá ser trilhado, muitos estudos de casos, muita pesquisa teórica e empírica, formação de terapeutas e desenvolvimento de técnicas irão iluminar mais o fascinante universo da regressão.

REFERÊNCIAS

Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão.

Natali, Marco. Vidas além da vida.

AUTOR: Euclides de Almeida Silva – Diretor do Instituto Namaskar – Parapsicologia Clínica Integrativa e Constelação Familiar Sistêmica.

Revisor: Euclides de Almei

[1] Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 106.

[2] Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 114.

[3]Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 115.

[4]Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 108.

[5] Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 106.

[6] Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 106.

[7] Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 106.

[8]Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 52.

[9] Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 12.

[10]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 12.

[11]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 13.

[12]Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 78.

[13]Natali, Marco. Vidas além da vida, p. 81.

[14]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 76.

[15]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 76.

[16]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 77.

[17]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 82.

[18]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 83.

[19]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 83.

[20]Martins, Edison Flávio. Abrindo as janelas do tempo pela terapia da regressão, p. 83.

Autor: namaskar

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