O que é Constelação familiar?

Constelação familiar é um método criado por Bert Hellinger, psicoterapeuta alemão, na qual um cliente coloca em cena pessoas desconhecidas para que representem seu sistema familiar e essas pessoas, sem informações precedentes, usam palavras e vivenciam sentimentos semelhantes aos dos familiares, e até mesmo, eventualmente, refletem os seus sintomas (Schneider, 2007).

Segundo Bert Hellinger (2003), por amor, fidelidade e lealdade a família, quando um antepassado deixa situações por resolver, as gerações seguintes expressarão sentimentos e comportamentos fundamentados na situação antecedente. Eles estão “emaranhados”, por assim dizer, prisioneiros a eventos e fatos pelos quais não são responsáveis e nem sequer tem conhecimento. Essa é a herança afetiva transgeracional que acaba por criar sequencias de destinos trágicos. Nas palavras de Bert Hellinger:

“Em uma constelação algo muito maior do que podemos expressar em palavras vem à luz. Então, reconhecemos o essencial na medida em que nos entregamos ao processo da maneira como se desenvolve, como se nos entregássemos a uma música emocionante ou a uma bela paisagem. Estamos abertos, absorvemos e não sabemos o que está acontecendo. Mas depois estamos mudados. Estamos mudados na medida em que entramos em sintonia com a alma, com os movimentos profundos da alma.”

As constelações familiares unicamente trazem à luz a conexão entre o destino e os seus efeitos. Ajudam a “ver” a realidade da vida, contudo, não influencia no modo que será aplicado na vida do cliente. Apenas proporcionam um insight liberador dos efeitos do destino, e de um modo indireto, colocam em ordem suas relações, estimula o crescimento e proporciona força, na medida em que as pessoas recebem a vida dos pais e dos antepassados. As constelações confiam na competência do cliente em se responsabilizar e lidar bem com o que vivenciaram (Schneider, 2007).

Referências

Hellinger B. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo:Cultrix; 2003.

Schneider, Robert. A prática das constelações familiares / Jakob Robert Schneider; tradução de Newton A. Queiroz. – Patos de Minas: Atman,2007.

Luana Dallo

Psicóloga e Coach/Doutora em Educação.

CRP 12/16231

  1. p. 216.Luana Dallo

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Hellinger B. Ordens do amor: um guia para o trabalho com constelações familiares. São Paulo:Cultrix; 2003

O que há de extraordinário nas constelações familiares é primeiramente o próprio método. É singular  e fascinante observar, quando um cliente coloca em cena pessoas estranhas para representar seus familiares em suas relações recíprocas, como essas pessoas, sem prévias informações, vivenciam sentimentos e usam palavras semelhantes às deles e, eventualmente, até mesmo reproduzem os seus sintomas.Quando os representantes são instados a expressar em movimentos o que sentem, eles frequentemente exprimem uma dinâmica da alma que revela destinos ocultos, que o próprio cliente desconhecia. Algumas vezes, o que os representantes sentiram só fica claro para o cliente depois que ele se informa com sua família. Mesmo quando os representantes não estão totalmente presentes, quando estão envolvidos com seus próprios problemas ou, por consideração, não ousam exprimir adequadamente o que sentem em seus papéis, podemos geralmente confiar neles. A surpresa do cliente, seus gestos de confirmação, o saber interior, o alívio e a abertura liberadora para modificações, o seu assentimento e, finalmente, os efeitos produzidos no cliente e em sua família são, em última análise, critérios para comprovar que os representantes sentiramcorretamente.

Nas constelações familiares, praticadas em grupo ou na terapia individual, diversos elementos da psicoterapia se desenvolvem e convergem num instrumental representativo, capaz de trazer à luz os processos anímicos, vivenciá-los e reduzi-los ao núcleo essencial que permite soluções. Ao mesmo tempo, esse instrumental leva a profundas experiências e descobertas humanas, que apontam para amplos domínios coletivos e espirituais, ultrapassando as fronteiras, por vezes estreitas, da psicoterapia. A solução de problemas psíquicos associa-se à descoberta das ligações da alma, em conexão com as ocorrências e os destinos familiares e com os grupos e os contextos maiores que os abrangem.

Contudo, via de regra, é apenas através de informações essenciais que uma constelação recebe o impulso para sua condução. É surpreendente verificar que no decurso da constelação os representantes se guiam mais pelo que sentem do que pelas informações do cliente ou pelas suposições eventualmente levantadas pelo terapeuta.

“Em uma constelação algo muito maior do que podemos expressar em palavras vem à luz. Então, reconhecemos o essencial na medida em que nos entregamos ao processo da maneira como se desenvolve, como se nos entregássemos a uma música emocionante ou a uma bela paisagem. Estamos abertos, absorvemos e não sabemos o que está acontecendo. Mas depois estamos mudados. Estamos mudados na medida em que entramos em sintonia com a alma, com os movimentos profundos da alma.”

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