O poder do Abraço

O PODER DO ABRAÇO

O abraço é uma popular forma de demonstração de sentimentos tais como o afeto, amor, amizade, dentre outros, que já se tornou consagrada em todo o mundo. Trata-se de uma poderosa forma de comunicação não-verbal apta a transmitir ao outro empatia, confiança, conforto e consolo.

Além de o abraço poder expressar todos estes sentimentos positivos, é imperioso constatar os benefícios que ele traz à saúde daqueles que o dão e o recebem, que vão desde a produção de hormônios que estimulam o prazer ao melhor enfrentamento de questões existenciais. Diversos estudos conduzidos por Universidades de prestígio internacional procuraram desvendar todos os aspectos fisiológicos que envolvem a prática do abraço.

A gestualidade do abraço envolve uma forma de comunicação não-verbal que traz em si uma alta carga emocional positiva, normalmente representada pela aproximação entre duas pessoas, pela expressão de vínculos de afeto e empatia, mostrando-se, por vezes, um meio mais profundo de expressar sentimentos do que o falar. O toque físico do abraço produz uma sensação de amparo própria a combater emoções tais como a carência afetiva e a depressão.

Um estudo desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte (EUA) valeu-se de 38 casais para medir os níveis de oxitocina (o hormônio do amor), cortisol (o hormônio do estresse) e a pressão arterial em função da lembrança de momentos felizes, do acompanhamento de trechos de filmes românticos e de uma rodada de abraços. Após o fim desta rodada de experimentos, foi observado o aumento dos níveis de oxitocina entre os participantes, bem como a redução dos níveis de cortisol e de pressão arterial.

Outra pesquisa conduzida na Universidade Médica de Viena, na Áustria, pelo professor neurofisiologista Jürgen Sandkühler, mostrou que abraçar reduz o estresse, o medo e a ansiedade, além de promover o bem-estar e melhorar a memória, porém tais efeitos benéficos só ocorrem quando se abraça alguém de que se é próximo e há uma relação de confiança, sendo que abraçar estranhos pode ter efeito oposto, visto o distanciamento natural que se procura manter nestes casos.

Todas estas melhoras fisiológicas decorrentes do abraço devem-se a uma maior produção do hormônio oxitocina. Esta poderosa substância é conhecida por influenciar nossas ligações emocionais, comportamento social e aproximação entre pais, filhos e casais. Nas mulheres, o hormônio é produzido durante o processo de parto e amamentação, a fim de aumentar a ligação da mãe com o bebê.

Em seu livro “A molécula da moralidade”, o neuroeconomista Paul Zak elevou o papel da oxitocina a um novo patamar, atribuindo-a como a promotora das relações de confiança entre os indivíduos. O estudioso realizou uma série de experimentos onde ele pode identificar uma relação entre o nível de oxitocina no organismo de um indivíduo com a sua propensão à confiabilidade.As pessoas se mostravam muito mais confiáveis com mais oxitocina, como também muito mais morais; pois a oxitocina promove a empatia, que é a capacidade das pessoas conectarem-se aos sentimentos umas das outras. E um poderoso meio de liberar a oxitocina no organismo, segundo o autor, é por meio do ato de abraçar. Oito abraços por dia seria a quantidade ideal para ser mais feliz.

Na Universidade de Carnegie Mellon (EUA), foi feito um estudo no mínimo curioso para demonstrar o poder do abraço na melhora do sistema imunológico das pessoas. O professor Sheldon Cohen entrevistou 404 pessoas por 14 dias, em que foram feitos questionamentos relacionados ao cotidiano das pessoas em relação ao nível de estresse, conflitos interpessoais e a quantidade de abraços diários que os entrevistados davam. Após este período, o professor, com o consentimento dos participantes da pesquisa, borrifou o vírus da gripe em todos eles. Os participantes foram mantidos em quarentena e cerca de 1/3 deles não veio a desenvolver a gripe, tendo sido posteriormente constatado que esses participantes que não ficaram doentes foram justamente aqueles que relataram dar mais abraços nas pessoas e desenvolver mais relações de afeto.

Outras evidências do poder do abraço foram descobertas por meio de pesquisas científicas, como a dirigida pela professora Sander Kooler, da Universidade de Amsterdam, publicada na Revista Psychological Science, onde se percebeu que pessoas com baixa autoestima tendem a lidar melhor com questões existenciais quando são tocadas por outras pessoas. O toque interpessoal no caso ajuda essas pessoas a sentir que a sua vida é mais significativa, repleta de sentido, uma vez que todos por vezes têm dificuldades em encontrar um sentido para a vida.

Já na Universidade de Emory (EUA), descobriu-se que o abraço ajuda a aliviar tensões, assumindo especial importância nas fases iniciais da vida cujos efeitos podem ser sentidos por um longo prazo. A pesquisa sustenta que o abraço em bebês e crianças melhora a capacidade deles em enfrentar o estresse na vida adulta.

Na verdade, muitos outros estudos foram feitos e ainda serão feitos tentando desvendar todos os mistérios a respeito do abraço, mas a conscientização sobre os seus efeitos terapêuticos já é bem avançada, tanto que existe a chamada “terapia do abraço”. Essa terapia consiste no toque terapêutico como ferramenta de cura e faz parte do treinamento dos profissionais de enfermagem em grandes centros médicos ao redor do mundo. Segundo Kathleen Keaten, autora do livro “A terapia do abraço”: “O toque é usado para ajudar a aliviar a dor, a depressão e a ansiedade; para ajudar a estimular a vontade de viver do paciente; para ajudar bebês prematuros – que ficaram privados do toque materno nas incubadoras – a crescer e a desabrochar”.

Dentre todas as evidências apresentadas, há de convir que o abraço não é apenas útil, mas é essencial para o nosso bem-estar, ajudando a incutir em nós e nos outros sentimentos de harmonia e amor, ajudando a aliviar tensões e a enfrentar questões existenciais e amarguras. Por isso, não há contraindicações e constitui-se em um recurso sempre bem-vindo no contato com o próximo.

Autor: Euclides de Almeida Silva – Diretor do Instituto Namaskar – Parapsicologia Clínica Integrativa e Constelação Familiar Sistêmica

Revisão: Euclides de Almeida Silva Filho

Autor: namaskar

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