O PODER DO ABRAÇO

02/04/2016

O PODER DO ABRAÇO

 

A Instituição Cidade da Esperança, localizada em Rancho Queimado no estado de Santa Catarina, trata as pessoas que lá se dirigem com a fitoterapia e a reeducação alimentar, buscando no conjunto o equilíbrio do corpo. Trabalha-se sempre em parceria com a Medicina convencional, pois todos são orientados a continuar sempre com o tratamento ministrado pelo seu médico, recebendo, ainda, a recomendação de complementar, com a fitoterapia, pois esta forma de terapia está devidamente regulamentada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e aprovada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), e também com uma exclusiva e personalizada reeducação alimentar.

Hoje a Instituição conta com mais de 200 voluntários que regularmente comparecem, a fim de gratuitamente realizar um trabalho solidário junto à Instituição. A filosofia neohumanista adotada por todos que lá trabalham é o amor ao próximo, expressado na forma carinhosa e respeitosa no atendimento e acolhimento a todos. E nada expressa melhor o amor ao próximo de forma desinteressada do que um carinhoso abraço.

Cada pessoa que se dirige a Instituição Cidade da Esperança em busca de auxílio, sempre receberá calorosos abraços, emanados do Presidente da Casa, Irmão Luciano Pereira Paiva, como também por parte de todos os seus trabalhadores voluntários.

Assim dedicamos este texto ao ato de abraçar, que expressa uma série de sentimentos humanos e provoca inúmeros benefícios à saúde, conforme veremos a seguir.

O abraço é uma popular forma de demonstração de sentimentos tais como o afeto, amor, amizade, que já se tornou consagrada em todo o mundo. Trata-se de uma poderosa forma de comunicação não verbal apta a transmitir ao outro empatia, confiança, conforto e consolo.

Além de o abraço poder expressar todos estes sentimentos positivos, é imperioso constatar os benefícios que ele traz à saúde daqueles que o dão e o recebem, que vão desde a produção de hormônios que estimulam o prazer ao melhor enfrentamento de questões existenciais. Diversos estudos conduzidos por universidades de prestígio internacional procuraram desvendar todos os aspectos fisiológicos que envolvem a prática do abraço.

A gestualidade do abraço envolve uma forma de comunicação não verbal que traz em si uma alta carga emocional positiva, normalmente representada pela aproximação entre duas pessoas, pela expressão de vínculos de afeto e empatia, mostrando-se, por vezes, um meio mais profundo de expressar sentimentos do que o falar. O toque físico do abraço produz uma sensação de amparo própria a combater emoções tais como a carência afetiva e a depressão.

Um estudo desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte (EUA) valeu-se de 38 casais para medir os níveis de oxitocina (o hormônio do amor), cortisol (o hormônio do estresse) e a pressão arterial em função da lembrança de momentos felizes, do acompanhamento de trechos de filmes românticos e de uma rodada de abraços. Após o fim desta rodada de experimentos, foi observado o aumento dos níveis de oxitocina entre os participantes, bem como a redução dos níveis de cortisol e de pressão arterial.

Outra pesquisa conduzida na Universidade Médica de Viena, na Áustria, pelo professor neurofisiologista Jürgen Sandkühler, mostrou que abraçar reduz o estresse, o medo e a ansiedade, além de promover o bem-estar e melhorar a memória, porém tais efeitos benéficos só ocorrem quando se abraça alguém de que se é próximo e há uma relação de confiança, sendo que abraçar estranhos pode ter efeito oposto, visto o distanciamento natural que se procura manter nesses casos.

Todas estas melhoras fisiológicas decorrentes do abraço deve-se a uma maior produção do hormônio oxitocina. Essa poderosa substância é conhecida por influenciar nossas ligações emocionais, comportamento social e aproximação entre pais, filhos e casais. Nas mulheres, o hormônio é produzido durante o processo de parto e amamentação, a fim de aumentar a ligação da mãe com o bebê.

Em seu livro A molécula da moralidade, o neuroeconomista Paul Zak elevou o papel da oxitocina a um novo patamar, o de promotora das relações de confiança entre os indivíduos. O estudioso realizou uma série de experimentos no qual ele pode identificar uma relação entre o nível de oxitocina no organismo de um indivíduo com a sua propensão à confiabilidade. As pessoas se mostravam muito mais confiáveis com mais oxitocina, como também muito mais moral; pois a oxitocina promove a empatia, que é a capacidade das pessoas conectarem-se aos sentimentos umas das outras. E um poderoso meio de liberar a oxitocina no organismo, segundo o autor, é o ato de abraçar. Oito abraços por dia seria a quantidade ideal para ser mais feliz.

Na Universidade de Carnegie Mellon (EUA), foi feito um estudo no mínimo curioso para demonstrar o poder do abraço na melhora do sistema imunológico das pessoas. O professor Sheldon Cohen entrevistou 404 pessoas por 14 dias, em que foram feitos questionamentos relacionados ao cotidiano das pessoas em relação ao nível de estresse, conflitos interpessoais e a quantidade de abraços diários que os entrevistados davam. Após este período, o professor, com o consentimento dos participantes da pesquisa, borrifou o vírus da gripe em todos eles. Os participantes foram mantidos em quarentena e cerca de 1/3 deles não veio a desenvolver a gripe, tendo sido posteriormente constatado que esses participantes que não ficaram doentes foram justamente aqueles que relataram dar mais abraços nas pessoas e desenvolver mais relações de afeto.

Outras evidências do poder do abraço foram descobertas por meio de pesquisas científicas, como a dirigida pela professora SanderKooler, da Universidade de Amsterdam, publicada na revista Psychological Science, na qual se percebeu que pessoas com baixa autoestima tendem a lidar melhor com questões existenciais quando são tocadas por outras pessoas. O toque interpessoal no caso ajuda essas pessoas a sentir que a sua vida é mais significativa, repleta de sentido, uma vez que todos por vezes têm dificuldades em encontrar um sentido para a vida.

Na Universidade de Emory (EUA), descobriu-se que o abraço ajuda a aliviar tensões, assumindo especial importância nas fases iniciais da vida cujos efeitos podem ser sentidos por um longo prazo. A pesquisa sustenta que o abraço em bebês e crianças melhora a capacidade deles em enfrentar o estresse na vida adulta.

Muitos outros estudos foram feitos e ainda serão feitos tentando desvendar todos os mistérios a respeito do abraço, mas a conscientização sobre os seus efeitos terapêuticos já é bem avançada, tanto que existe a chamada terapia do abraço. Essa terapia consiste no toque terapêutico como ferramenta de cura e faz parte do treinamento dos profissionais de enfermagem em grandes centros médicos ao redor do mundo. Segundo Kathleen Keaten, autora do livro A terapia do abraço, “O toque é usado para ajudar a aliviar a dor, a depressão e a ansiedade; para ajudar a estimular a vontade de viver do paciente; para ajudar bebês prematuros – que ficaram privados do toque materno nas incubadoras – a crescer e a desabrochar”.

Dentre todas as evidências apresentadas, há de se convir que o abraço não é apenas útil, mas é essencial para o nosso bem-estar, ajudando a incutir em nós e nos outros sentimentos de harmonia e amor, ajudando a aliviar tensões e a enfrentar questões existenciais e amarguras. Por isso, não há contraindicações e constitui-se em um recurso sempre bem-vindo no contato com o próximo.

           

                                    Professor Euclides de Almeida Silva